Olá! Olá!
Hoje trago Arvo Part…
"Podia comparar a minha música à luz branca que contém todas as cores. Só um prisma pode separar as cores e faze-las aparecer; este prisma pode ser o espírito do ouvinte”
Arvo Pärt
E de facto Spiegel im Spiegel é uma composição da luz que nos leva aos melhores lugares da tranquilidade.
A música contemporânea pode ser toda a música que se faz na actualidade, no entanto aquela a que se chama tecnicamente “música contemporânea” é à música erudita do sec.XX e XXI. Arvo Part é um dos representantes da música contemporânea da corrente neoclássica ou neo-romântica.
Embora nacionalizado austríaco desde 1980, nasceu na Cidade de Praida na Estónia a 11 de Setembro de 1935. Inicia os seus estudos musicais em 1954 na escola de música de Tallin. Interrompeu os estudos, para prestar o serviço militar ao seu país, por cerca de 1 ano e retoma os estudos musicais em 1957 no conservatório de Tallin. Começa a trabalhar como engenheiro de som na Rádio da Estónia. Inicia os seus trabalhos musicais para música de cena e de filmes (mais de 50). No ano de 1963 torna-se compositor profissional, ganhou em 1962 um prémio pela sua cantata “Our Gardem” e um oratório “Stride of the world”.
Mas nem tudo foi fácil para o músico, em 1968 vê a sua obra “Credo” ser proibida devido ao texto de “Creio em Jesus Cristo”. Este acontecimento levou o compositor a imolar-se espiritualmente. Inicia a sua primeira etapa de silêncio “contemplativo” dedicando-se a estudar música. Decide estudar música coral francesa e franco-flamenca dos sec. XIV e XV (Machaut, Ockeghem, etc). Nos inícios dos anos 70 renasce com obras baseadas na polifonia medieval, mas como o próprio autor exprime acerca da sua 3ª sinfonia “é uma peça musical alegre mas não o fim do meu desespero e da minha busca”.
Será durante o segundo silêncio que Part surge totalmente renovado e marcará uma época. Continua a estudar a música medieval e renascentista e no ano de 76 surge com um dos estilos musicais mais geniais de sempre “tintinnabuli”; -“descobri que é suficiente uma única nota quando é tocada com beleza. Esta única nota, ou um momento de silêncio, consola-me. Trabalho com muito poucos elementos e construo com materiais primitivos. As três notas de uma tríada sonora, como campainhas, e é isto que eu chamo tintinnabulatio”.
Tintinabular caracteriza-se pela melodia ser composta livremente, a mão direita toca notas da escala si menor e a esquerda tríadas de si menor. Quando na partitura aparece uma flor desenhada muda, a mão esquerda tocará um dó sustenido.
Part introduziu este estilo musical em Fur Alina (1976) e Spiegel im Spiegel (1978). Excelente, sem dúvida.
Em 77 surgem as suas peças mais famosas: Frates, Cantus in memory of Benjamim Britten e a não menos conhecida “Tabula Rasa”.
Mas não só musicalmente as coisas estavam difíceis no sec. XX, a politica também. Part viu-se obrigado, devido ao regime totalitarista, e emigrar para Viena e mais tarde para Berlim onde reside actualmente.
Tem-se dedicado quase totalmente a textos religiosos que se exprimem no seu trabalho como “La Pasión segúm San Juan (1982) Te Deum (1984-86 revisitada em 1993) e corais como Magnificat (1989) e "Beatitudes" (1990). Entre as suas últimas composições estão “Kanon Pokajanen”, “Passio” e “Trivium”, as mais recentes “Eloge de l'amour” (2001) um filme intimista de Godard, e Heaven de um filme de Twyker.
Agora que vos servi o chá de camomila resta-me desejar-vos
Bom fim de semana ;)

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